sábado, 9 de julho de 2011

O duro é o trocadilho, mas o vinho...


No Brasil, principalmente no norte e nordeste do País, o nome desse vinho é considerado um palavrão. A associação para as bandas de cá é feita com “mulheres da vida”. Quando menino, ainda lembro do choque dos pais quando ouviam um “seu filho de uma rapariga”! E se fosse de quinta então, nem se fala.
Mas essa garrafa, o nome, o vinho e tudo o que ele representa vem de Portugal. Precisamente da região do Alentejo onde o estudo de cultivo e produção de uvas para vinhos mais cresceu nos últimos anos, estabelecendo uma boa equação entre quantidade e qualidade.
O nome do vinho se refere a uma jovem do campo (quinta seria uma propriedade rural). Mas isso é o que menos importa. Sob a responsabilidade do premiado enólogo Luiz Duarte esse assemblage reúne uvas Alicante Bouschet, Aragonês e Trincadeira (típicas do Alentejo) e é verdadeiramente surpreendente. Digo com propriedade pois tive o prazer de degustar uma garrafa em recente visita a uma amigo.
Frutas vermelhas maduras marcam o sabor. O descanso de vários meses em barris de carvalho francês e americano, agrega ao paladar um tom amadeirado sutil. O aroma, em minha modesta opinião,também incorpora madeira com lembrança de um tabaco doce e cacau ou chocolate. Taninos equilibrados e corpo leve e resistente (talvez um pouquinho demais).
O Rapariga da Quinta, é importado pela Épice (www.epice.com.br) e sai ao preço de R$ 32,00 (mais frete). Bom saber que um vinho com essa qualidade, assinado por um respeitado enólogo reúna esse excelente custo benefício. Vale conferir.

O Mestre



Alain Ducasse, considerado por muitos o maior chef do mundo, reforça sua atuação no Brasil.

Ele foi o primeiro a conseguir 6 estrelas de uma só vez no conceituado guia gastronômico Michelin. Ao longo da bem sucedida carreira virou celebridade. É dono de restaurantes conceituados em vários lugares do mundo, tem escolas de culinária e é autor de vários livros. Hoje é o único chef a ostentar 14 das cobiçadas estrelas em toda a história do Michelin.
Doutor honoris causa da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, onde mantém um laboratório gastronômico, o mestre Ducasse coloca seu talento (e rígida disciplina) mais perto dos paulistas, acompanhando a implantação do novo campus da Estácio em São Paulo.
Espero que possibilidades de formação como essa possa inspirar jovens acreanos e o futuro traga o conceito de alta gastronomia para a mesa dos restaurantes de Rio Branco.   

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Para apimentar a verdade sobre nós mesmos

LÚCIFER E OS LÚCIDOS
"Lúcido deve ser parente de Lúcifer. A faculdade de ver deve ser coisa do demônio. Lucidez custa os olhos da cara."

Estou embriagada pelos novos poemas de Viviane Mosé. Esta é só uma palhinha de Pensamento Chão, um livro essencial nesses tempos em que já sabemos que não convém circular de Rolex por aí, já sabemos que certos políticos nunca ouviram falar em honra, já sabemos que o verão vai ser sufocante e só nos resta olhar um pouco para dentro de nós, o único lugar onde ainda encontramos alguma novidade.
Essa visão inusitada que Viviane nos oferece sobre lucidez, por exemplo, é um convite para a reflexão. Em tempos insanos, de tanta gente maluca por vaidade, maluca por juventude, maluca por dinheiro, maluca por poder, os lúcidos destacam-se pela raridade. São aqueles que não inventam personagens de si mesmos, não se trapaceiam, não criam fantasias, ao contrário: se comprometem com a verdade. E se envolver assim com a transparência dos fatos requer uma integridade diabólica. Para olhar o bicho nos olhos é preciso ser bicho também. Enfrentar a verdade é quase um ato de selvageria.
Mas que verdade é essa, afinal? É aí que o demônio apresenta sua conta, pois o lúcido tem que se confrontar com uma verdade desestabilizadora: a de que não existe verdade absoluta. Nossos pensamentos não estacionam, nossos desejos variam, o certo e o errado flertam um com o outro, não há permanência, tudo é provisório, e buscar um porto seguro é antecipar o fim. A única segurança está na morte, será ela nosso único endereço definitivo. Durante o percurso tudo é movimento, surpresa e sorte. O lúcido faz parte do time - cada vez mais desfalcado - dos que se desesperam como todo mundo, porém de um modo mais íntimo e refinado. O lúcido organiza sua loucura, acondiciona o que está solto no ar, interliga várias idéias independentes para que, agarradas umas nas outras, não se dispersem, estejam ao alcance da mente. Quanto mais o lúcido pensa mais percebe que lucidez plena não existe, o que existe são suposições, algumas até coerentes, e que nos mantém no eixo. Lúcido é aquele que sabe que lucidez é uma falácia e não pira com isso. Recebe a conta das mãos do demônio, calcula os ganhos e os prejuízos e paga. Custa sim, Viviane, os olhos da cara, esse vício de pensar e repensar, pensar e compensar, pensar, pensar, pensar e morrer do mesmo jeito. Por isso achei tão interessante seu poema. Você matou a charada: Lúcifer é uma espécie de padroeiro dos lúcidos - e lúcido é só um outro nome para louco. O louco que tem a cabeça no lugar demais.
Martha Medeiros, do livro DOIDAS E SANTAS - L&PM Editores

sábado, 2 de julho de 2011

Uma pequena jóia (Belleruche Côtes-Du-Rhône)


        Essa pequena garrafa guarda uma combinação de cepas Grenache e Shiraz. O resultado é um vinho rico, elegante com sabor emadeirado, refinado com especiarias. Macio para os padrões da região francesa do Rhône. Aliás, esse Côntes-Du- Rhône apresenta outro argumento fantástico, um dos melhores custo benefício de sua denominação. A proposta de meia garrafa o torna mais atraente com preço médio de R$ 33,00 (mais taxa de frete). Excelente oportunidade para esses dias mais frios no Acre. Pena que os restaurantes de Rio Branco trabalhem (QUANDO TRABALHAM) com cartas de vinhos tão pobres. Os empresários são reféns de uma ignorância que na maioria das vezes chega no máximo aos completamente sem graça rótulos Santa Helena Reservado e Casillero del Diablo. Tudo bem que nosso clima não ajuda muito para os tintos mas certamente opções melhores de brancos daria para oferecer. Se estamos pensando em uma maior aproximação com o Peru e aproveitar parte do fluxo turístico dessa rota, vai ser preciso melhorar muito os serviços dos restaurantes de Rio Branco e do que é oferecido para clientela. Mas isso é outra história...

Espaguete e almôndegas para prostitutas cozinheiras e aqueles que as amam




              Em Amei, perdi, fiz espaquete (Ed. Record, R$ 44,90) Giulia Mellucci apresenta memórias e receitas. E para divulgar um pouco desse prazer...
 (4 a 6 porções)
Ingredientes
(Almôndegas)
  • 450 g de carne bovina moída
  • ¾ de xícara de farinha de rosca
  • 1 dente de alho picado
  • ¼ de xícara de parmesão ralado
  • 2 ovos
  • ¼ de xícara de leite
  • 1 colher (chá) de sal
  • ¼ de colher (chá) de pimenta
  • ½ xícara de salsinha picada
  • 3 colheres (sopa) de azeite
(Espaguete)
  • 2 colheres (sopa) de azeite de oliva
  • Pitada de pimenta calabresa (opcional)
  • 800 g de tomates italianos (ai, ai supermercados de Rio Branco)  
  • 1 colher (sopa) de massa de tomate
  • ¼ xícara de vinho tinto
  • 2 colheres (sopa) de açúcar
  • 2 colheres (chá) de sal
  • 450 g de espaguete
  • ¼ de xícara de folhas de manjericão
  • Parmesão ralado na hora
Preparo
(Almôndegas)
  • Pôr todos os ingredientes numa vasilha grande e misturar com as mãos
  • Fazer bolas (você escolhe o tamanho)
  • Numa frigideira grande, aquecer 2 colheres de azeite e fritar até dourar
  • Reservar sobre papel toalha
(Espaguete)
  • Aquecer o azeite numa panela grande em fogo médio, acrescentar a pimenta calabresa, tomates (e seus sucos, partindo-os com as mãos) e a massa de tomate. Juntar o vinho, o açúcar, o sal e as almôndegas
  • Cozinhar até ferver, abaixar o fogo para médio/baixo; cozinhar, mexendo com frequência, por 40 minutos
  • Cozinhar o espaguete, escorrer e voltar à panela. Acrescentar colheradas de molho e manjericão
  • Servir em pratos individuais com almôndegas e folhinhas de manjericão
(fonte: revista Gula edição 215)